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Como as mídias sociais criam uma bolha ideológica

Como as mídias sociais criam uma bolha ideológica: a importância da tolerância e do pensamento crítico.

O Facebook possui um algoritmo que define que tipo de postagem você receberá em sua timeline. Não, não é apenas curtir uma página para receber suas postagens. Existe um algoritmo muito complexo por trás do que você recebe em sua timeline. O objetivo desse algoritmo é mostrar as postagens que o usuário mais goste, e, para isso, ele define quais posts de páginas o usuário curte mais, interage mais, compartilha mais, e quais amigos o usuário tem mais contato, dando preferência para mostrar conteúdos similares. Mesmo postagens da mesma página, por exemplo, da CNN ou BBC, são classificadas pelo Facebook de acordo com ideologias políticas e são mostradas para usuários que, de acordo com o algoritmo do Facebook, concordem com elas. Por mais que a intenção seja melhorar a experiência do usuário, esse algoritmo tem um efeito nefasto: a criação de uma bolha ideológica. É evidente que as pessoas curtem e compartilham postagens que expressam opiniões que eles concordem, e que interajam mais com amigos que tenham opiniões similares. Esse algoritmo, portanto, altera enormemente a forma como pessoas de opiniões políticas diferentes recebem as informações nas mídias sociais.

Na eleição presidencial dos EUA, por exemplo, o mesmo fato era noticiado de forma diferente, dependendo de qual opinião política o facebook interpretava que você possuía. Por exemplo, se você fosse identificado como democrata, logo antes das votações, receberia notícias de que Hillary Clinton mantinha uma vantagem significativa sobre Trump nas pesquisas eleitorais. Caso você fosse identificado como republicano, receberia a notícia de que a vantagem nas pesquisas de Hillary tinha diminuído de 18 pontos percentuais para um número tão pequeno que está dentro da “margem de erro”. Além disso, os republicanos eram bombardeados com notícias sobre o vazamento de e-mails de Hillary e de seus fracassos na Líbia, enquanto os democratas recebiam notícias enfatizando os aspectos negativos de Trump, como comentários racistas e sexistas. Algo similar ocorreu durante os debates sobre o Brexit: quem foi identificado como possível apoiador do Brexit, recebeu postagens defendendo essa posição e vice versa, dificultando o adequado debate público sobre essa medida. O algoritmo mostra aos usuários o que eles querem ver, mesmo que seja uma visão parcial da realidade e que oculte pontos de vista contrários. ( fonte 1 ) De acordo com Vyacheslav Polonski, do Oxford Internet Institute(tradução livre): “As bolhas ideológicas criadas são, de fato, exacerbadas pelos algoritmos de personalização das plataformas, que se baseiam em nossas redes sociais e em nossas idéias previamente expressas. Isso significa que, em vez de criar um tipo ideal de uma” ágora pública ” , Que permitiria aos cidadãos expressar as suas preocupações e partilhar as suas esperanças, a Internet tem realmente aumentado o conflito e a segregação ideológica entre pontos de vista opostos, concedendo uma quantidade desproporcional de influência para as opiniões mais extremas.”

Quais os impactos disso para o mundo atual?

Um aumento do sectarismo e dos radicalismos políticos. É possível detectar esse aumento de radicalismo no Brasil, na Europa e nos EUA. Julgando que uma porcentagem cada vez maior de pessoas têm se buscado informações prioritariamente no facebook, número que chega a 67% dos brasileiros de acordo com o observatório da imprensa ( fonte 2) , é extremamente plausível considerar que um algoritmo que dá preferência para mostrar postagens que o usuário achará “agradável” cria uma bolha ideológica. E, meus caros, bolhas ideológicas são o primeiro caminho para o radicalismo irracional. Robert Cialdini, no livro “Influence”, afirma que o “isolamento ideológico”, combinado com a “auto-validação” de só ter acesso a pensamentos similares, é um método comum de lavagem cerebral implementado por cultos religiosos radicais. Algumas vertentes políticas brasileiras mais estão parecendo cultos religiosos radicais.

Essa guerra entre os “coxinhas” e os “petralhas” representa a antítese da democracia. Os mais radicais de cada lado simplesmente se recusam a ouvir qualquer argumento que não se enquadre em sua “bolha ideológica”, isso impossibilita o debate político e, inclusive, o funcionamento da democracia brasileira, que, para funcionar, depende do debate e da tolerância. Essa militância só beneficia mesmo os políticos profissionais que, graças ao radicalismo, obtêm um grande número de apoiadores cegos e sem senso crítico, prontos a defender seus “ídolos” sem pensar duas vezes, recusando qualquer informação que contrarie uma visão idealizada de seu movimento e aceitando esse discurso bipolar “esquerda vs direita”.

Um dos objetivos da página é, justamente, combater o radicalismo político e defender posições moderadas. Considero que tanto a esquerda quanto a direita defendem o que elas consideram o melhor para o Brasil. E que é por meio do diálogo e da cooperação que identificaremos quais são as políticas mais benéficas ao nosso país, não por meio do sectarismo ou do partidarismo.

A minha sugestão para vocês, caros amigos, é que tentem, ao máximo, ler artigos e livros com opiniões contrárias às que vocês defendem. Devemos pedir mais Mises E mais Marx. Pensem por si mesmos, busquem meios midiáticos não partidários e que tentam incentivar o pensamento crítico. Interajam com seu amigo de direita ou de esquerda, entenda que ele não é um inimigo e que, se ele defende o que ele defende, é porque ele acha que é o melhor para o país, mesmo que ele tenha conclusões e projetos diferentes do que os seus. Ele quer o melhor para o Brasil, com base nas informações e nas opiniões que ele possui.

É por meio da cooperação, do diálogo e da tolerância que seremos capazes de construir um projeto da nação, não por meio do sectarismo e dos radicalismos partidários.

Nessa página, me esforçarei por fazer análises moderadas, não partidárias, sempre revelando pontos positivos e negativos – pois, meus caros, se existisse uma forma 100% certa de se governar, evidentemente ela já teria sido adotada por todos os governos. Cada proposta ou política possui pontos positivos e negativos, e é por meio da análise desses pontos, pesando e medindo seus efeitos, que devemos nos guiar. O mundo não é preto e branco, ele é cinza.

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