Clássicos da Liberdade

Se fôssemos completamente honestos

“Se fôssemos completamente honestos, então em todo debate teríamos a intenção de exigir que a verdade fosse mostrada, sem nos preocupar se nossa opinião ou a do outro é que estava correta: isso seria absolutamente indiferente, ou pelo menos algo completamente secundário. Mas a natureza humana torna esta a questão central. A vaidade congênita, que é sensível em especial em relação às faculdades intelectuais, não quer reconhecer estar errada, e que o oponente tenha razão. Pela lógica, cada um deveria apenas se esforçar para emitir opiniões verdadeiras, sólidas, para o que seria preciso primeiro pensar e depois falar. Mas à vaidade congênita, se juntam a verborragia da maioria e a doentia desonestidade do homem. Falam antes de pensar, e depois percebem que sua afirmação era falsa ou que não tinham razão; ainda assim, atuam de modo a parecer o contrário. O interesse pela verdade, que deveria ser o único motivo da proposição de afirmações, é totalmente substituído pelo interesse da vaidade: a verdade deve parecer falsa e o falso deve parecer verdadeiro.”
A citação anterior é um trecho do livro “A Arte de Ter Razão”, do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.

Todo pessoa necessita de certa humildade. Sem a humildade, o intelecto se torna apenas um escravo das próprias convicções e ideologias. Incapaz de perceber seus próprios equívocos e acreditando ser portador da verdade absoluta, o “narciso intelectual” se preocupa mais em parecer certo do que em estar certo. Eles são facilmente reconhecíveis pela sua incapacidade de reconhecer um equivoco, mesmo que pequeno. Vivem tentando conciliar o inconciliável: a intelectualidade e a vaidade.

Texto de autoria de Rafael Galera, publicado, originalmente, sob o pseudônimo Otto Weber. Todas as opiniões expressas no texto representam a opinião pessoal do autor e, de forma alguma, a posição do Ministério das Relações Exteriores ou do Governo Brasileiro.

Na imagem a pintura “Narcissus” do mestre do barroco italiano Caravaggio, pintada no século XVI.

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